A nossa cidade, construída com o trabalho de muitos e o sacrifício de todos os brasileiros não pode ser tratada da forma proposta pelo governador Arruda, apoiado nos “projetos estratégicos” do arquiteto Jaime Lerner.
É fácil compreender por que os projetos são “estratégicos”, e identificar que a especulação imobiliária está no comando da proposta publicada nos jornais do dia 12 de dezembro. Da forma proposta, não vão integrar nada e o Plano Piloto vai continuar sendo a perspectiva de trabalho, saúde, educação e de divertimento dos moradores das cidades construídas e engordadas sem controle à sua volta.
O projeto de Lucio Costa propunha a construção de uma cidade — Brasília — para abrigar 500 mil habitantes. Hoje, a população superou o projeto e os efeitos provocados pela grande demanda dos que buscam, com toda a razão, o trabalho, a educação e a saúde, podem ser percebidos por todos, e principalmente por aqueles, os mais prejudicados, vindos do Entorno, que se deslocam por grandes distâncias em ônibus desconfortáveis, por estradas e ruas engarrafadas e esburacadas.
Segundo o arquiteto Lerner, de Curitiba, se a população da periferia das cidades do Entorno for aumentada em 500 mil habitantes será resolvida a integração entre o Plano Piloto e as cidades ao seu redor, da maneira que o governo pretende. O acréscimo da população, com a construção de novos prédios com gabarito ainda não definido, agrada à especulação imobiliária e instala naquele setor uma população maior do que a população atual da cidade projetada por Lucio Costa. O sistema viário daqui, já absolutamente comprometido, não vai suportar a nova demanda. Falta rua, falta estacionamento e os serviços públicos já não funcionam, estão comprometidos.
Governador Arruda, não ouça o canto da sereia e trabalhe sério na direção da melhoria de vida dos moradores das cidades do Entorno, criando trabalho perto da moradia decente do trabalhador. Melhore a segurança, o sistema educacional e o atendimento hospitalar, que seguramente todos entenderão a grande contribuição do seu governo.
Quero lembrar que em época certa o governador Brizola, para melhorar a sua imagem, promoveu um grande projeto de revitalização do Rio de Janeiro, com profundas intervenções no transporte urbano e grande espaço na imprensa.
Quero lembrar que em época certa o governador Brizola, para melhorar a sua imagem, promoveu um grande projeto de revitalização do Rio de Janeiro, com profundas intervenções no transporte urbano e grande espaço na imprensa.
Lembro-me de que muita coisa foi proposta e pouca coisa aproveitada. Até os ônibus com janelas muito grandes, que passaram a rodar por Copacabana, Ipanema e toda a orla marítima, a fim de que o turista visse e examinasse de longe as sereias e as belezas do Rio, foram desativados. O carioca esperto, que prefere ver tudo de perto, devagar, tocar quando é o caso, não aprovou. A jardineira era muito feia, desajeitada e vulgar, como a fotografia do Interbairros, publicada no
Correio Braziliense.
Carlos Magalhães, Arquiteto, é um dos responsáveis pelas obras de Oscar Niemeyer em Brasília
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